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Corrida solidária pelo fim da fístula obstétrica em Angola: “Eu encontrei minha cura aqui”

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Histórias

Corrida solidária pelo fim da fístula obstétrica em Angola: “Eu encontrei minha cura aqui”

calendar_today 18 Maio 2026

Mulher canta de alegria após receber alta médica.
Mulher canta de alegria após receber alta médica.

Depois do parto, a água começou a vazar. Comecei a chorar... Por que essa água?". 

O relato de Domingas, de 25 anos, representa o drama de centenas de mulheres angolanas afectadas pela fístula obstétrica. 

A fístula obstétrica é uma lesão grave causada por partos prolongados e obstruídos sem acesso a cuidados de emergência. Por causa disso, a mulher com fístula obstétrica passa a perder urina ou fezes sem conseguir controlar, o que causa feridas, mau cheiro, levando-as a ter vergonha e a se excluírem da sociedade.

Além da dor física, vem o fardo invisível: "Nas aldeias, elas são afastadas, acusadas de bruxaria, porque não é uma doença 'normal'", explica o cirurgião Dr. Paolo Parimbele. O isolamento e o abandono familiar se tornam a regra para quem vive em extrema pobreza.

No Hospital Azancot de Menezes, onde se localiza a Vangulula House, o cenário muda. Nesta unidade de saúde, o tratamento vai muito além do bloco operatório. 

Pacientes com fístula precisam de muito mais do que tratamento terapêutico; precisam de apoio emocional, de cuidado, de proximidade", afirma a enfermeira Isabel Kiese.

O cotidiano na casa é de restauração. Enquanto se recuperam, as mulheres participam de aulas de alfabetização e oficinas de costura. A activista Margarida Luciano explica que, entre aprender costura e momentos de lazer, as mulheres tratam o trauma. 

Laurinda, uma das pacientes diz: 

Aqui (na Vangulula House) temos mata-bicho, almoço e conforto. Não diga que não há cura. Eu encontrei minha cura aqui".

Dr. Paolo Parimbele reforça que, embora a cirurgia seja o único tratamento para a fístula obstétrica estabelecida, a técnica exige competência específica e, acima de tudo, humanidade. "Acredito que a empatia é o valor mais importante", afirma o médico, que hoje trata desde os casos mais simples aos mais complexos.

Por que corremos?

Esta Corrida e Caminhada Solidária é o motor que mantém este ciclo de cura activo. O valor da sua inscrição vai directamente para a Vangulula House, financiando o transporte das mulheres de suas províncias até Luanda; A estadia, alimentação e cuidados com a higiene durante todo o processo; A formação em habilidades que lhes permitem iniciar uma nova vida ao retornar às suas comunidades.

No dia 20 de Junho, ao cruzar a linha de meta, você está a garantir que pacientes como a Teresa possam dizer: 

Voltei à minha comunidade e quero ajudar outras mulheres".

A Corrida e Caminhada Solidária pelo Fim da Fístula Obstétrica, que acontece no dia 20 de junho, na Marginal de Luanda, é uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA). Inscreva-se e ajude-nos a devolver a dignidade.

Acompanhe o vídeo sobre a Missão da Vangulula House no tratamento da Fístula Obstétrica.