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Agir agora pensando no amanhã: em busca do caminho para a melhoria da saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e jovens.

17 Agosto 2018
Conferência Nacional da Juventude Sobre Saúde Sexual e Reprodutiva para Adolescentes e Jovens. Foto: UNFPA/Denizia Pinto

Luanda, Angola - “agir agora, pensando no amanhã” foi o lema da Conferência Nacional da Juventude sobre Saúde Sexual e Reprodutiva realizada, em Luanda, nos dias 15 e 16 de Agosto de 2018.

A iniciativa - liderada pelo Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD) em parceria com o Conselho Nacional da Juventude e apoio do UNFPA - proporcionou aos jovens uma oportunidade de interagirem com diferentes sectores do governo, Agências da Nações Unidas, Organizações da Sociedade Civil, que têm um papel relevante no progresso da agenda da juventude no país.

Conforme disse a Ministra da Juventude e Desportos, Engª Ana Paula do Sacramento Neto, no seu discurso de abertura:

"a conferência foi organizada de forma a criar um espaço de reflexão conjunta, de debate de ideias, de análise de questões chaves como a dinâmica populacional, a sua estrutura etária e os desafios que nos impõem.”

Realizado num ambiente criativo e participativo a conferência concretizou-se, de facto, numa oportunidade de troca de informações e discussão aberta sobre as necessidades, desafios e acções em curso e outras necessárias para a melhoria dos programas de saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes e jovens em Angola. 

Desafios de saúde sexual e reprodutiva para os jovens:

A gravidez na adolescência, as altas taxas de infecção ao VIH/SIDA, abortos inseguros, falta de serviços amigos dos jovens e acesso a informações foram destacados, nos vários debates, como os factores que mais desafiam a saúde e bem-estar dos adolescentes e jovens no país, comprometendo o seu desenvolvimento, educação e o alcance do seu pleno potencial. Tal como evidenciado durante a conferência as estatísticas mostram que:

  • 65% da população angolana tem menos de 25 anos.
  • 35% das jovens de 15 a 19 anos já iniciaram a vida sexual.
  • Angola tem uma taxa de fertilidade de 6.2 filhos para cada mulher.
  • 50% das mulheres engravidam antes dos 18 anos.
  • 43% dos jovens entre 15 e 19 anos têm as suas necessidades de planeamento familiar não satisfeitas.
  • Apenas 33% dos jovens têm conhecimentos abrangentes sobre o VIH. 

“Nós os jovens somos o futuro de amanhã. Ter acesso a essas informações é muito importante para sabermos quais são os riscos existentes e como nos prevenir.” – disse a jovem Luísa Serafim, entusiasmada pela oportunidade de participar na conferência e ter acesso ao amplo leque de informações. 

Esta preocupação foi também endereçada pela Representante do UNFPA, Florbela Fernandes, ao referir que:

“o não investimento no desenvolvimento das capacidades dos adolescentes e jovens e na promoção da saúde e bem-estar desta franja populacional, tem um impacto adverso a longo prazo no desenvolvimento social, político e económico das famílias, das comunidades e do país”.

Principais recomendações:

Para o Desidério Baptista, activista do programa Juventude,Informada,Responsável e Organizada (JIRO):

“é necessário que os adolescentes e jovens amadureçam os seus conhecimentos e informações sobre saúde sexual e reprodutiva desde muito cedo, para que possam ter uma melhor participação no desenvolvimento social”.

Desidério sugeriu que o lema “agir agora, pensando no amanhã”, seja levado para além da conferência, promovendo a educação tanto nas escolas como nas comunidades.

As demais recomendações evidenciadas como bases para a promoção da saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes e jovens incluíram:

  • Expandir e operacionalizar os serviços amigos dos jovens a nível nacional, adequados aos diferentes contextos;
  • Estabelecer acções e parcerias estratégicas para mobilização de recursos para assegurar a sustentabilidade dos programas e serviços.
  • Buscar formas inovadoras para interagir com os jovens. As novas tecnologias abrem uma janela de oportunidade para ampliar o acesso a informações.
  • Redefinir a faixa etária para acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva, tendo em conta o início precoce das relações sexuais, as altas taxas de gravidez na adolescência e infecções de transmissão sexual.

A leitura do comunicado final sobre a conferência, incluindo as recomendações, marcou o desfecho das actividades, mas tal como referiu a Ministra da Juventude e Desportos no seu discurso de encerramento:

“o programa não termina aqui. O MINJUD dará continuidade às suas acções, as recomendações serão matérias de trabalho do executivo e o ministério trabalhará para que a política da juventude seja aprovada".

Reforçou ainda que o MINJUD irá assegurar a expansão do programa JIRO a nível nacional e continuará a manter o contacto com os adolescentes e jovens.