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MINJUD e UNFPA: Aplicativo móvel amplia as possibilidades das meninas acederem a informações abrangentes sobre saúde sexual e reprodutiva.

29 Junho 2018
As meninas Fernanda Soares e Ceamara Ulica entretidas com o aplicativo "Oi meninas" durante o evento de lançamento. Foto: UNFPA/Denizia Pinto

Luanda, Angola - Com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a População, o Ministério da Juventude e Desportos lançou, em Luanda, um aplicativo móvel para promover informações abrangentes sobre prevenção do VIH e promoção da saúde sexual e reprodutiva. Realizado na Casa da Juventude, em Viana, o evento foi liderado pela Ministra da Juventude e Desportos em Exercício e contou com a presença de várias entidades do Governo, Deputados da Assembleia Nacional, Representantes das Agências das Nações Unidas, Organizações da Sociedade Civil, bem como adolescentes e jovens que acederam, de forma vibrante e entusiasmada, o novo instrumento de informação.

O aplicativo intitulado “Oi meninas” trata-se de um jogo de perguntas e repostas que permite a adolescentes e jovens esclarecer as suas dúvidas à volta da sexualidade e receber informações precisas e adequadas à sua faixa etária. De forma fácil e acessível, o aplicativo permite a raparigas e rapazes o acesso mais imediato à informações seguras sobre a a saúde reprodutiva, reconhecimento das mudanças ocorridas da puberdade, formas de prevenção de infecções de transmissão sexual, incluindo o VIH, bem como a prevenção de gravidez precoce que são grandes desafios da Juventude em Angola.

De acordo com  a Drª Florbela Fernandes, representante do UNFPA, “a  inspiração para o aplicativo partiu de uma experiência piloto realizada no âmbito da prevenção do VIH, com a participação de cerca de 30.000 meninas e jovens mulheres com idade compreendida entre os 10 e 24 anos. É uma forma inovadora de ter mensagens qualifacadas para todas as adolescentes e jovens. Normalmente nesta idade, as adolescentes têm muitas dúvidas sobre o seu processo de crescimento e precisam de informações qualificadas para tomar decisões informadas. A iniciativa se enquadra no quadro de colaboração com o Governo de Angola para a expansão do Programa Juventude Informada Responsável e Organizada (JIRO) e desta forma fazer com que as informações estejam disponíveis a partir do telemóvel para acesso mais rápido, aproveitando o potencial das novas tecnologias”. A iniciativa contou com o financiamento do Fundo Global através do apoio do UNDP.

O aplicativo oferece o potencial de atualização e incorporação de temáticas relevantes para os jovens como a violência baseada no género, ou ainda a gestão do período menstrual que limitam muitas meninas de participarem em actividades diárias, como ir à escola.

Segundo a Secretária de Estado para a Juventude, a Drª Guilhermina Fundanga Mayer Alcaim, “A criação  constitui uma mais valia para o empoderamento da menina e dos jovens no geral. Ainda hoje existem muitos tabus à volta da sexualidade, por isso e por várias outras razões, os pais não conversam com os filhos neste sentido. Muitos adolescentes partem para a vida sexual muito cedo e sem as devidas informações, correndo riscos de gravidez não desejada  e infecções de transmissão sexual, sendo esta uma realidade que afecta muitas famílias neste país.  Para a Drª Guilhermina, com este aplicativo, os jovens terão informações que lhes serão úteis para a vida.

Os dados disponíveis apontam para uma prevalência de 2.0% de VIH entre a população de 15 a 49 anos de idade em Angola, sendo 0.9% entre os jovens de 15 e 24 anos de idade. Meninas e mulheres jovens representam 1.1% da prevalência, ou seja a maior proporção. Quanto as gravidezes, 3% ocorrem entre meninas de  12 e 14 anos e 7%  dos 15 aos 17 anos  de idade. A gravidez na adolescência contribui para cerca de 7,5% do abandono escolar. Complicações na gravidez, partos inseguros, VIH são as principais causas de morte entre meninas de 15-19 anos de idade. Meninas adolescentes e jovens mulheres enfrentam um conjunto especial de riscos e desafios que precisam de atenção.

No seu discurso de abertura, a Drª Guilhermina frisou que a criação do aplicativo está voltado para a educação das meninas e reforça o compromisso de Angola para o desenvolvimento da capacidade das meninas e jovens mulheres e a inserção harmoniosa das mesmas na sociedade e no alcance dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável. É importante que este investimento seja feito desde muito cedo quando elas começam a construir o processo de transição para a vida adulta.

Durante o evento, os participantes interagiram directamente com o aplicativo, baixando-o nos seus telemóveis, enquanto o Dr. Kikas Machado, Director Nacional de Políticas da Juventude fazia a apresentação e a demonstração das suas funcionalidades. Uma das questões feitas pela plateia foi a inclusão dos rapazes no aplicativo. O Dr. Kikas respondeu que apesar do nome “Oi meninas” o aplicativo é extensivo aos rapazes porque é importante que os rapazes conhecem as principais dúvidas das meninas para poderem ajudar no processo de desenvolvimento da sexualidade.

Uima Rodrigues, uma das jovens que baixou o aplicativo contou que “ apresenta várias questões pertinentes, cada questão apresenta uma opção de resposta verdadeira ou falsa e a pessoa tem de escolher uma” Ela reforçou que o jogo é interessante e pensa que servirá para ajudar muitas meninas a desenvolver os seus conhecimentos sobre o seu corpo: “ Uma menina que tem estes conhecimentos, consegue tomar decisões informadas, consegue negociar num relacionamento, consegue prevenir a gravidez precoce e passará a informação a outras meninas para evitar o abandono escolar”.

Para mais informações, contactar:

Denizia Pinto

Ponto focal de comunicação

UNFPA Angola