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A vida como ativista do JIRO, jovens liderando mudanças comportamentais em Angola

A vida como ativista do JIRO, jovens liderando mudanças comportamentais em Angola


Daniela Isabel Raimundo Ngunza, uma jovem ativista voluntária de 26 anos, lidera mudança de comportamento.
 

 

O problema que as meninas passam é que elas são discriminadas, são julgadas… e por alguns motivos, tem que ajudar a casa, é que elas se envolvem com certas pessoas…” diz Daniela Isabel Raimundo Ngunza, uma jovem ativista voluntária de 26 anos, que integra o leque de activistas do JIRO (Juventude Informada Responsável e Organizada) em Viana, o município onde reside,  na província de Luanda.

 

Daniela integrou o JIRO após ter tido contacto com alguns activistas, e desde então não desviou o interesse e hoje ajuda jovens da sua comunidade. O trabalho dela é crucial.  Em Luanda, 40% dos jovens entre os 12 e 19 anos já utilizaram o álcool, e a idade média da primeira relação sexual é 14 anos. 41% das meninas da mesma idade já tiveram uma gravidez. (Estudo realizado por MINJUD, em 2016, em parceria com o UNFPA)

 

 “O meu dia a dia como ativista é estar no campo, e falar com os jovens para que eles façam mudanças de comportamento,” conta Daniela.  O JIRO é um programa do Ministério da Juventude e Desportos (MINJUD) e integra o Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher (MASFAMU), o Ministério da Educação (MED) e o Ministério da Saúde (MINSA), contando com a parceria do UNFPA. O JIRO foi lançado pela primeira vez em 1997 e visa a promoção da educação para a saúde sexual e reprodutiva incluindo planeamento familiar, género, prevenção das ITS/VIH além de comportamentos positivos no seio dos jovens e adolescentes.

 

 

A  equipa do JIRO foi comemorar o Dia Internacional da Rapariga 2021 com as meninas do município de Cacuaco, do bairro Mayombe, com todos os serviços que o programa oferece incluindo jango comunitário, bancadas femininas, aconselhamento e testagem para o VIH, música, dança e sensibilização em campo aberto. Daniela foi uma das activistas que participou da comemoração para ajudar a mudança de comportamento dos jovens mediante formações.

 

 

 

Daniela nasceu em Luanda e, desde cedo, desejou formar-se como médica para que pudesse cuidar de pessoas. Hoje, apesar de não ter concluído, ainda, a formação em enfermagem, Daniela transformou-se numa empreendedora e segue cuidando e empoderando outras mulheres da comunidade onde reside, levando o conhecimento sobre temas ligados à juventude e em particular à mulher. Hoje o mundo abriu-se, aproximando cada vez mais as comunidades, através da globalização, o que o torna mais pequeno, com a informação ao alcance de todos. Para Daniela, o contacto com o mundo digital deu-lhe uma visão mais ampla e ela vai se capacitando através das plataformas digitais e da informação disponibilizada na internet.

 

“Um dos grandes benefícios que o digital trouxe a minha vida, foi o conhecimento. Hoje sei de muita coisa que não tinha noção.” A parceria entre o MINJUD e o UNFPA está promovendo ainda mais o uso de aplicativos móveis e tecnologia como SMS-Youth / U-Report para alcançar jovens e adolescentes com informações essenciais de Saúde Sexual e Reprodutiva e que salvam vidas para realizar seus direitos humanos.

Ver um mundo onde a mulher seja bem informada para que possa alcançar seus objectivos, é o desejo que Daniela carrega, ela não baixa os braços, trabalha para que o seu desejo se espalhe e que alcance mais mulheres que queiram empreender pelo continente.